Estados brasileiros negociam compra da vacina Pfizer e não esperam por Governo Federal

O presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, Carlos Eduardo Lula, afirmou na tarde de hoje que estados iniciaram negociação paralela para a aquisição da vacina da farmacêutica Pfizer. A declaração ocorreu durante entrevista ao programa “Ponto Final”, da rádio CBN.

“A gente tem cobrado do Ministério da Saúde, precisamos de uma data. E, neste caso, a gente não tem nem data para iniciar a imunização. Hoje, a gente iniciou uma negociação com a Pfizer, porque a gente não vai ficar só olhando para o alento. Isso é uma negociação paralela [independentemente do governo federal]”, disse.

“A Pfizer procurou os estados e o Conselho, e muitos estados demonstraram interesse. A gente sabe que o PNI (Plano Nacional de Imunização) é fundamental, queremos que o governo comande o processo, mas não podemos ficar de braços cruzados sem saber o que vai acontecer amanhã”, completou, em seguida.

Segundo o presidente do conselho, o custo da operação, neste caso, ficaria a cargo dos próprios estados.

“Não dá para a gente continuar na inércia, esperando o que vai acontecer, esperando o que o Ministério da Saúde avisar o que vai fazer, tem que fazer. Mais de 40 países, menores do que o Brasil, já começaram a vacinação. E o Brasil segue a ver navios”, criticou.

O UOL procurou a Pfizer para um posicionamento em relação à declaração do presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, e aguarda retorno. A reportagem também tentou contato com o Ministério da Saúde.

A Pfizer apresentou ao governo federal uma proposta de comercialização da vacina contra covid-19 que permitiria a vacinação já no primeiro semestre de 2021 de milhões de pessoas no país.

Na ocasião, o Ministério da Saúde disse que deveria comprar o imunizante da farmacêutica dos EUA à medida que os ensaios clínicos apontassem “total eficácia e segurança” dos insumos e após o registro da Anvisa.

O governo Bolsonaro anunciou somente em dezembro a compra de 70 milhões de doses da vacina, depois de muito atraso, questionamentos e pressão de governadores.

“A companhia está trabalhando e entende a importância e a complexidade de logística por trás disto. A oferta da companhia é que a vacina é entregue nestas caixas nos pontos de vacinação, que tem que ser acordado e trabalhados com os governos. Essa é a parte que ainda teremos que trabalhar com o Ministério da Saúde e o governo do Brasil”, disse Carlos Murillo, presidente da Pfizer do Brasil, na ocasião.

RNA mensageiro

A vacina da Pfizer e BioNTech, chamada de BNT162, é feita com tecnologia de RNA mensageiro, que leva informações genéticas ao organismo para que ele produza uma proteína do vírus e ative o nosso sistema imunológico para gerar resposta de anticorpos contra o patógeno.

O estudo envolveu cerca de 43 mil voluntários. A análise de eficácia foi feita quando o número de infectados no grupo de participantes chegou a 170. Ao abrir o cegamento da pesquisa (ou seja, checar quantos dos infectados estavam no grupo vacinado e quantos no grupo placebo), os investigadores descobriram que 162 contaminações aconteceram entre os que não tomaram o imunizante, chegando, assim, à eficácia de 95%.

Embora moderna e fácil de ser produzida, as vacinas de RNA são sensíveis. Elas exigem refrigeração de -70ºC. A Pfizer e a BioNTech afirmam que, enquanto esperam a autorização para uso emergencial, já estão cuidando dos preparativos logísticos para distribuição do produto, entre eles uma caixa especial que utiliza gelo seco para manter o imunizante na temperatura adequada por até 15 dias.

Até o momento, o imunizante da Pfizer já foi aprovado em alguns países, como Reino Unido, Estados Unidos, México, Bahrein e Chile.

Resultados divulgados de testes fase 3 das principais vacinas em desenvolvimento no mundo:

Pfizer/BioNTech: teve eficácia de 95%;

AstraZeneca/Oxford: apresentou eficácia média de 70%, mas pode alcançar 90% com uma dose menor;

Instituto Gamaleya/Sputnik V: mostrou eficácia de 91,4%, mas mais de 95% após a aplicação da segunda dose;

Moderna: o laboratório norte-americano disse que a vacina tem 94,5% de eficácia;

Instituto Butantan/Sinovac: a pesquisa da CoronaVac chegou ao número mínimo de infectados, que atestam a eficácia do imunizante, mas o percentual ainda não foi divulgado.

UOL

Compartilhar no linkedin
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no print

Deixe uma resposta

VEJA TAMBÉM

Thalita Moema

Aqui você pode falar um pouco sobre você, sobre o site!

Publicidade

Sobre

Links úteis

error: O conteúdo está protegido !!