Janot prova no livro: Lula foi alvo de uma caçada da Lava Jato

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Rodrigo Janot assina, em seu livro de memórias, o capítulo definitivo a demonstrar que Lula não foi alvo de investigações e processos judiciais segundo as regras do jogo. Houve uma caçada.

O Capítulo 15 de “Nada Menos do que Tudo” o evidencia de maneira insofismável. Convém que seja lido pelos senhores ministros do Supremo.

Trata-se de decidir se o que lá vai narrado — reproduzo o capítulo no pé deste post — pode ou não prosperar no país. Algumas considerações.

LAWFARE

A defesa de Lula há muito vem apelando à tese de que o ex-presidente é vítima de “lawfare”, vale dizer: do uso do aparato legal para promover não a justiça, mas a perseguição de pessoas previamente escolhidas em razão de interesses escusos, não-relacionados ao cumprimento da ordem legal.

Durante muito tempo, poucos ouviram a defesa do ex-presidente. A Lava Jato tomava de tal sorte as consciências que ninguém dava a menor pelota para vazamentos ilegais, prisões arbitrárias, espetáculos de pirotécnica ou o famoso PowerPoint de Deltan Dallagnol — que, a rigor, nada tinha a ver com a denúncia que a própria força-tarefa havia oferecido contra o ex-presidente.

Os diálogos revelados pelo site “The Intercept Brasil”, em associação com parceiros — também este blog — têm evidenciado de maneira cristalina as agressões ao devido processo legal de que foram vítimas o ex-presidente e outros. Procuradores recorreram a expedientes ilegais para colher provas, mantiveram relações impróprias com o juiz, manipularam o processo para levar para Curitiba o caso do tríplex de Guarujá… Bem, a lista é longa.

O tal capítulo do livro de Janot já tem um título bastante eloquente: “O objeto de desejo chamado Lula”. Poderia falar por si não fosse a história espantosa que lá vai.

O núcleo duro da força-tarefa de Curitiba se deslocou para a sede da PGR e exigiu que Janot, segundo conta o ex-procurador-geral, manipulasse o processo contra Lula, o que, diz ele, negou-se a fazer.

Fica claro — e diálogos revelados por The Intercept Brasil já o haviam revelado — que a força-tarefa não tinha elementos para acusar Lula também por lavagem. Como admitiu Sergio Moro, não havia evidências nem da corrupção passiva.

Reinaldo Azevedo

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