Ministério Público pede prisão preventiva de deputado Lucas Bove e relata que deputado intimidava ex-esposa, Cíntia Chagas, com arma enquanto fumava maconha

Silenciada e intimidada por diversas vezes, a professora e palestrante Cíntia Chagas finalmente foi ouvida pela Justiça.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta quinta-feira (23) pede a prisão preventiva do deputado estadual Lucas Bove (PL), acusado de uma série de agressões, ameaças e humilhações cometidas contra a ex-esposa.

De acordo com o documento, Bove costumava fumar maconha e manusear sua arma de fogo dentro de casa, apontando para Cíntia “em tom de brincadeira” — comportamento classificado pela promotoria como “intimidação ostensiva”.

Em um dos episódios descritos, ocorrido em julho de 2024, o parlamentar teria fumado maconha e, na presença de uma amiga da vítima, apertado o mamilo de Cíntia, atitude que ele repetia com frequência. Na sequência, segundo o relato, ele passou a mão por baixo da roupa dela e disse à convidada:

“Olha o que eu faço com sua amiga.”

O gesto deixou ambas constrangidas.

A promotora Fernanda Raspantini Pellegrino, responsável pela denúncia, afirma que o parlamentar foi indiciado por violência psicológica, perseguição, ameaça e lesão corporal, e que o comportamento do deputado revela “um padrão reiterado de desrespeito à Justiça”.

Cíntia havia denunciado Bove pela primeira vez em setembro de 2023, quando registrou um boletim de ocorrência e obteve medida protetiva que o proibia de se aproximar ou entrar em contato com ela. Mesmo assim, segundo o MPSP, o deputado ignorou as determinações judiciais diversas vezes, fazendo publicações e comentários públicos sobre a ex-esposa e o processo, além de tentar contato por meio de terceiros e até por números da própria Assembleia Legislativa.

“Há aproximadamente um ano, o denunciado vem ignorando as determinações do Sistema de Justiça (…), acreditando que não será responsabilizado pelas consequências de seus atos”, destacou a promotora.

Violência e humilhações reiteradas

A denúncia detalha ainda que o deputado:

  • Apertava com força os mamilos de Cíntia em público, causando constrangimento e dor;
  • Chegou a jogar uma faca em direção à perna dela e a ameaçou de morte, dizendo que o segurança esconderia o corpo;
  • Disse que só não a agrediria fisicamente porque ela tinha 6 milhões de seguidores;
  • Controlava a rotina da ex-esposa, exigindo prints e comprovantes de onde estava;
  • Impediu campanhas publicitárias, alegando ciúmes e desconfiança;
  • E, após a separação, passou a perseguir e ameaçar a vítima e pessoas próximas.

As agressões e o abuso psicológico deixaram marcas profundas. Cíntia passou a usar antidepressivos, sofreu queda de cabelo e desenvolveu Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Por medo, hoje utiliza carro blindado para se locomover.

O caso agora está nas mãos da Justiça, que decidirá se acata o pedido de prisão preventiva do deputado Lucas Bove.

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