O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões divergentes sobre a procedência de carteiras de crédito problemáticas adquiridas do Banco Master a partir de janeiro de 2025.
Segundo Vorcaro, o BRB teria sido comunicado de que os créditos não foram gerados diretamente pelo Master, mas sim por uma empresa terceira chamada Tirreno. Já Paulo Henrique Costa sustentou que sempre entendeu que os ativos tinham origem no próprio Banco Master.
As declarações ocorreram durante uma acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), em dezembro. Durante o procedimento, Vorcaro afirmou ter conversado em algumas ocasiões com o então presidente do BRB sobre uma mudança no modelo de negócios do Master, que passaria a trabalhar com carteiras originadas por terceiros.
Por outro lado, Paulo Henrique declarou que sua compreensão era de que os créditos haviam sido inicialmente gerados pelo Master, posteriormente vendidos a terceiros e, depois, recomprados para revenda ao BRB. Ele afirmou ainda que só percebeu as inconsistências após a conclusão das operações.
A Polícia Federal encerrou a acareação em dezembro. As oitivas foram acompanhadas por representantes do Ministério Público Federal e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli.
As investigações envolvendo o Banco Master começaram em 2024, a pedido do MPF, para apurar a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro. Conforme os investigadores, esses ativos teriam sido vendidos a outra instituição financeira e, após fiscalização do Banco Central do Brasil, substituídos por títulos sem avaliação técnica adequada.
Em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio, o que inviabilizou a venda da instituição anunciada no dia anterior.





